perto de coisas como uma galera que vê trechos do futuro mas continua chata, a história de um quarentão que se prostitui até parece entretenimento de qualidade. claro que toda série tenta ir muito além da sinopse e, com um pouco de paciência, qualquer um se surpreende com, digamos, as personalidades dos adolescentes excluídos que interpretam hinos da música pop num coral do colégio.
como o comboio de carnivàle não era feito só de artistas de circo, um cara que se prostitui é muito mais que um garoto de programa mais velho. é por isso que você consegue indicar hung pra sua tia sem sequer mencionar a atividade do protagonista e, sem muito esforço, considerar esse o seriado mais ternura das últimas temporadas.
acontece que ray drecker, o bem-dotado do título nacional, que está prestes a ser demitido do seu emprego ruim e tem um casal de filhos incrivelmente inadequados, certa madrugada acorda com sua casa destruída por um incêndio e passa a viver numa cabana de acampamento, enquanto é humilhado pelo vizinho rico e pela ex-mulher. depois de ir a uma palestra motivacional pouco confiável, ele resolve usar seu maior talento (hum hum) pra ganhar dinheiro, com a ajuda de uma poeta frustrada esquisitinha que tenta fazer pães recheados com poemas. assim nasce a consultoria da felicidade, um jeito bonito de chamar os serviços que ray e tanya passam a oferecer.
a cada não-programa, ray, tanya e os outros personagens não menos perdidos reconstroem suas vidas e às vezes encontram mel de abelha, enquanto a primeira temporada de hung nos presenteia com algumas reflexões sinceras e bem-humoradas sobre homens, mulheres, homens inseguros, mulheres tristes, adolescentes feios, possíveis contratantes de sexo pago e outras maiorias adoráveis que talvez a gente nunca tenha visto na TV.