27.2.07

sexo mentiras e videotape

vou te perseguir 24h pelas alamedas
suar entre os seios, tropeçar com tênis sujos

vou te telefonar nas madrugadas
dizer frases feitas, chorar entre rimas

vou te enviar cartas tardias
escrever poemas, colar recortes de revista

vou tentar te esquecer durante décadas
eternos rewinds das minhas memórias

carnaval animado



assim como sou dinky bosseti e dawn wiener e billy brown (titanismos e fantasias típicos de minha puberdade constante) -

eu sou esse cachorrinho.

25.2.07

ociosos

extra extra!

alguns poemas datados, recolhidos e revisitados




(nov.2005)

vivo num filme, trilha chorosa, beijo azulejos
mesmas fotos que vejo há anos
década-de-90 no meu algo-já-cansado

me esqueço
e me encontro
comigo às 8


*

jogo
(dez.2004)

quando as coleciono quase todas muito simples
qualquer impulso me empurra para longe longe
do grande plano grande que se parte até hoje
e não poderia contar as faces
do grande grande susto do qual
me recupero


*

conformar os conformes
(nov. 2004)

se me perder
eu te perdôo
meu nome era muito nasal mesmo


*


aquários
(nov. 2004)

& limites são
vítreos, límpidos, potencialmente quebráveis
(nome de doença, patologia de se esconder,
guardar miniaturas em sacos plásticos,
afogar peixes convulsivos em ânsia, ansiosos,
possam ser domesticados unidos aos erros,
perdoados logo após, minhas âncoras)

aquários de vidro
mesma agonia a vida toda
pergunto de novo onde estão os sentidos
e então perco todos: mingau de aveia
e bananas


*


peru de natal
(out.2004)

tão frio, cheio
de faltas e batidas
marcas e feridas
e ossos presos
nos nós das gargantas

um então abraço
um então perdão
- se houver espaço -

aos anos
aos passos
aos murros e aos muitos
bagaços e beijos


*


pippi longstocking
(set. 2004)

está morrendo e

dentre os ditos exageros,
chora pela reprovação de suas sardas sinceras.
carrega no rosto o peso da nudez,
a burrice-até-ontem, cavalinhos de espuma.
dessa vez e apenas, escolhe um laço com o mundo,
última tentativa de registrar um grande poema
para todos


*


sessão da tarde
(ago.2004)

férias este ano
todas as semanas
e a próxima

em especial
esse último número
que enxerga

não há soma
nesse engano
uma película que separa
mente as datas
perde a fala

não há nada
não há nada

e o monstro no armário
é o teu único
melhor amigo


*


(ago.2004)


depois do choque
há a lição de risadas
e formas de lágrimas

depois do choque
há a promessa de um outro
eletrocutam-me as pálpebras

quando os tremores se vão
conto meus dedos
escovo os dentes


*


(jun.2004)

escrevo versos ando em círculos penso em tiros no ouvido num silêncio mais calmo em balas de goma e cereais matinais e mãos no pescoço e em esquecer o passado
não por arrependimento
mas por exagero por tédio por sódio

escrevo bobagens, pipocas doces, fins-meios, poetas russos, não falo mais ocos: mais brutos.

posso ser um menino
com calças de moletom
e é pouco

nos meses de luto


*


lâmina
(jun.2004)

banheiro vidro azulejo líquido
implora por mais um metro
quadrado que sinta
um frio um limpo uma ferida

engole as tuas dúvidas, lúcida
escuro como naquelas histórias

engole as tuas dobras, mímica
claro e mais claro

clarabóias


*


bobby
(mai.2004)

- quando achar de novo o brinquedo perdido pela casa, ele vai se despedaçar
nas minhas mãos?

esses plásticos baratos, essas mãos nervosas


*


hamlet
(mar. 2004)


não há nada
mais bonito
que isso

estar só
do seu lado

hamleto em folhas A4
não tenha medo do menino fedido
são todos velhos motivos
buracos fundos à distância de um dedo


*


das frutas
(fev. 2004)

laranjas
como se pudesse escolhê-las

carambolas
como se fossem estrelas

comê-las
como se fossem outras coisas

outras coisas
como se fossem as tuas


*


pedido
(out. 2003)

me leve para o méxico
ou para um viaduto

seja uma decepção dolorida
uma rima esdrúxula
um pretexto poético

seja
alguma coisa

porque eu odeio
o vazio
nas suas pupilas


*


babette
(nov. 2002)

pêlos tristes
encontraram a morte
em algum lugar
do jardim

morrer é tão simples
só dura um instante

diga que sim


*



o pequeno construtor

pequeníssimo tijolo de madeira
e em diante uma casa
ou uma chácara, como gostam

parece que chove à toa
e conflitos familiares soam bem
à pequena população cujos carros desgovernados se despedaçam
contra os castelinhos

e a srta. leite-moça pensou ter visto uma poça de sangue no
quintal chuvoso
e (sangue)

o relógio da praça central é como um coração, mas
os pequenos amigos de madeira
definitivamente não sabem
o que é isso.

(11/2005)

16.2.07

eram os deuses cineastas (?)

through the darkness of future past
the magician longs to see
one chants out between two worlds
fire walk with me


7.2.07

objeto de desejo do intelecto


gênio que o vejam
e a seus méritos:

os livros digeridos
os aparatos artísticos
dignos dos transtornos
cultivados em seus sótãos
suas músicas, seus órgãos

suas teclas e estalidos e intestinos
invertidos

(a genialidade que
não temos)