23.7.07

alex kidd

endireito os ombros
certifico que sou da mesma altura
que minha presunção e minha ousadia
mesmo que meus sapatos sejam altos
e tenham asas

mesmo que atravesse a cidade
matando pessoas com pedras
papel e tesoura

mesmo que jogue pérolas
pra quebrar suas janelas

minha única missão
é cantar uma música
sobre o abismo



15.7.07

rumpelstiltskin

notas no diário misterioso:

fenômeno da transformarção de palha em ouro e também o processo contrário

que é disso que os anões gostam muito

10.7.07

poema em conserva

quando receber o pacote pelo correio
perceba o volume e o calor do conteúdo
artesanal e preparado pra que lhe comova
e leve a comprovar que pesa como pesa um gato
morto que você carrega anestesiado quando
o nota imóvel e absurdo junto ao poste
e já sabe que terá de cavar um buraco
grande como era o gato

a começar pelo laço desengonçado
abra o presente com o espanto e a alegria
de criança com medo de ganhar meias

não faça caso
por favor
não se incomode

ao ver no pote o esbranquiçado
do mofo por entre as curvas do vidro ou o líquido
da ferrugem na tampa metálica ou o cheiro
ocre que se espalhará até que tenha lágrimas
nos olhos que continuarão abertos na tentativa
de aceitar sinceramente as frutas da estação passada
que alguém sabia serem suas preferidas

9.7.07

(mais) hits deprimidos

some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries

- okkervil river é híbrido de um monte de bandas que eu ouço e provavelmente mais sensual que todas elas (bright eyes, wilco, pavement, sei lá).

claro que é meio emocionado demais, mas eu gosto, ainda mais com uma animação feia assim tão bonita.

band-aid em lixo de hotel familiar

permita-me dedilhar
suas veias – poéticas –
convencer que compre
um álbum

o mapa – geográfico –
do mundo no corpo humano
em figurinhas pra recortar
seus exageros

pra ensinar – científico –
que chagas são os cortes
permanentemente abertos
dos hemofílicos

4.7.07

angélica febem


quando eu não te tinha
tuas tetinhas de chantily
na minha língüa
cheia de tinha
tua bucetinha de molúsculo macio
em minha língüa
- dentro dela outra lingüinha
lambendo a minha -
eu sei que tinhas ambições
iguais às minhas
me ter como eu te tinha
minha língüa e a tua lingüinha
sempre vizinhas.


luis carlos frança