28.9.07

fase

última bolha de ar
no fundo, antes que prometa
não desperdiçar água, não sugar
o que há
de mais
bonito

aqui embaixo
começa a contagem mais limpa,
pulando dezenas pra chegar
vivo
às fisgadas
no peito

e ele
promete
parar

15.9.07

soulseeker

procurando música dançante (?) no soulseek, comecei a falar com um cara de 42 anos que mora na escócia.

ele me mostrou
isso (não sei se é dançante, mas é bonito):




piano magic - i didn't get where i am today

cabines

ela vem recebendo trotes
acorda confusa, não sabe o próprio nome, que casa é esta, em qual cidade, se há de fato alguém comovente ligando da rua, numa noite imensa de chuva

6.9.07

xisto na faculdade de letras

na escola eu era c.d.f. e me apaixonava por repetentes. eles me atropelavam com seus skates na frente da sala toda e não me ajudavam a levantar - desconfio que não sentiam o mesmo.



ooh a universidade estadual, ruptura na minha linha da vida, casinha infestada de cupins.

no primeiro ano, eu tinha só duas peças de roupa e expectativas demais. fui mandada pra fora da aula de latim por dizer quero doar sangue bem baixinho. reprovei nas latinidades e planejava abandonar o curso. acabei me enrolando: consegui um estágio remunerado. graças a ele, cheguei ao segundo ano. lia todos os livros do mundo durante as aulas, menos os que constavam no currículo. foi quando reprovei em linguística 2.
no terceiro ano, fui internada no s.u.s. durante 5 dias por causa de uma pneumonia silenciosa como eu. também resolvi almoçar numa sorveteria chamada amazônia todos os dias. eles faziam os sabores melancia e jaca. me tornei anêmica e dormia em todas as aulas. às vezes acordava caindo da carteira, sonhando, babando, tremendo (r.e.m.). abandonei literatura brasileira 1. os professores me odiavam. a amazônia fechou, minha amiga teve uma filha e eu reprovei em linguística pela segunda vez.
um colega de sala foi esmagado por uma vaca do garcía márquez no quarto ano. ele morreu, eu não. continuei viva só para reprovar em linguística - por 5 décimos - de novo.
nesse ano não durmo na aula, mas pareço o menino da propaganda contra as drogas - olhar perdido, som de descarga. cinco anos da minha vida, talvez seis. sou uma repetente recordista: continuo péssima na linguística e isso ninguém me tira.


4.9.07

bigodes



black heart procession - guess i'll forget you

cambé


rego minha planta
há azulejos coloniais com gravuras
de bules de leite sem nata
nesta casa

há salames feitos de sangue


no banheiro a água quente
devolve a imaginação perdida
aos que alimentam plantas
carnívoras - cada um tem
sua caneca sua carne sua ordem

aquele por exemplo lava os dedos antes



poesia no palito

o blog de nome chopsticks tem poemas de gente como jeffrey mcdaniel, traduzidos com capricho pelo renato. minha única colaboração é falar abobrinha.