3.11.07

(para poder crescer)

minha amiga camila nham e eu temos (há anos) planos loucos de adaptar esse livro pro teatro.

os últimos tempos estão pedindo uma releitura. ficam aqui meus grifos emocionados de 2005:



porque o mundo foi e será uma porcaria, já o sei (quem não sabe), porém vale mais vivê-lo esculhambado e tudo como é que pensá-lo aristotelicamente, kantianamente, sartrianamente. ou que cantá-lo em letras de tango. (...) porque estava corroído de palavras, doente de palavras, embrulhado de palavras, assassinado de palavras, já quase morto de palavras;

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dormir até que as tênues e maripôsicas mãos de ana acariciem sua face e sua tênue e melodiósica vozinha diga vamos meu amor, vamos já;

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eu não posso sustentar o seu olhar, então fecho o livro que leio enquanto digo qualquer coisa sobre este tempo louco, o dia tão estranho, tão cinzento, tão reticente, tão ambíguo. chove? ainda não, mas creio que vai chover. é o inverno suspenso no ar e divertindo-se às nossas custas, cecilia. ou nos querendo. você acredita? acredita que o inverno nos queira? é claro que acredito, é claro que acredito! a garoa, o vento, o frio, tudo é terrivelmente carinhoso, tão terrivelmente carinhoso que te devora. como a cidade, como as mães, como as mulheres, como os amigos, como a gente. te querem para te comer melhor. e se nevasse eu acreditaria mais ainda. e seria mais bonito. mais ainda se nevasse, muito mais então se os copos de há pouco de há pouco os copos copos copos pocos pocos. palavras.


eduardo gudiño kieffer, para te comer melhor

Um comentário:

ademir disse...
Este comentário foi removido pelo autor.