29.4.08

saco



richard maloy

seleta espremida

um toque no botão
ele precisa
de um empurrão
daqueles
pra conseguir
entrar na piscina
sorrir a tempo
de chatear
as visitas
sei que suas
pretensões são
poucas
latas de ervilha
já as palavras

as palavras
andam
ariscas

24.4.08

2 em 1 coelho

pelo menos
mais tarde
você admite

que de tédio
não morreria

só de cansaço
e agonia

talvez um pouco
de raiva

mas nunca
de tédio

que é apelido
pra tudo que
é chato


e eu só erraria

seu nome
completo

memebon


pra aliviar tensões, etc.


22.4.08

disco riscado disk amizade


não falaremos sobre o karma, o retorno, os círculos. as mesmas piadas em novos formatos. suas palavras brotando do meu teclado. todos com a mesma cara dentro do capacete. ensaios de acenos na faixa de pedestres.

toda a interferência que já conhecemos, uma espécie de ley de murphy
(se a comunicação pode falhar, ela vai).

não falaremos dos auges, dos acidentes, das ondas, das catástrofes naturais e dos declínios. impérios e papéis dobrados e amolecidos em carteiras há décadas, restos dos restos dos grandes acontecimentos:

quadros que parecem ficar muito bem lado a lado.

por falar em quadros, falaria sobre webcomics. por falar em assepsia, indicaria o ordinary things (que devia parar de tentar ser post secret, o que me faria lembrar de griffin & sabine, que eu acho até legal), o left handed toons e o idiot comics:


17.4.08

roy orbison enrolado em filme plástico

o tal ulrich haarbürste diz gostar de escrever estórias sobre o roy orbison sendo embrulhado em filme plástico. caso você também goste de escrever sobre o roy sendo completamente (não vale só um pedacinho) embrulhado em filme plástico, pede que escreva pra ele.

no site, além dos contos do roy em plástico filme (também no natal e no espaço), tem uns haikais escritos por outros fãs e uma entrevista. eu compraria o livro.

15.4.08

super dez




(já) amigos fotógrafos. a abertura é hoje à noite. não irei de guarda-chuva.

10.4.08

ets




9.4.08

resultado da busca

preferível não
falar nada

a imaginar por
horas você triste
no ônibus

as pessoas rindo
da sua camisa
de banda

eu rindo
da sua camisa
de banda

eu rindo
das suas
camisas todas

preferível não
falar nada

a ficar procurando
seu nome
no google

7.4.08

max laranjinha

espremedor
das gotas do dia
perdoe
essa sede
gomo que se

desprende
aos poucos
e lateja
um dedo na ferida
e outro

esmagado na porta

4.4.08

picos gêmeos

um livro dentro do outro
a avó a passos lentos
vem empilhar toalhas de rosto

um livro dentro do outro
pra adotar silêncios
e banhos de assento

um livro dentro do outro
é um recado seco
pra daqui a algum tempo

um livro dentro do outro
a avó não descobre
o que ando lendo

1.4.08

mãos de pianista

ansiedade não
combina com estampas
floridas

as férias acabam
e parecem
continuar

os sons
daquelas salas
isoladas

com cuidado
compõem música
pra tocar



maus lençóis alheios

qualquer transtorno
se dissolve em
números

pares de carneiros
tentando em vão
acalmar os sujeitos

que suspiram muito
e então
não
dormem

mapa de tesouro

1.

menino vestido de pirata
eu sei que os carnavais
têm sua graça

por isso eu respiro
engraçado

quanto te vejo
sinto meus braços

acenando para
navios parados



2.

menino vestido de pirata
quando telefona
é pra me descobrir
os enjôos
que disfarça
prendendo bem o fôlego
antes de discar meu
número