a vendedora de pastel parecia triste e usava carne humana, como a lenda da escrava que criou a receita. mas não era isso, tinha vindo pra outra coisa. dizia que nem nossas digitais responderiam, nossa carne embrulhada em lycra, as folhas que deixamos ontem na mesa da sala junto com as contas - gastou mais do que deveria com ligações místicas e linhas cortadas. agora que ia se redimir por transformar tudo numa grande cena tétrica, um sonho com escadas no edifício santa paula, no qual uma vizinha chamada soraia sempre surgia com fitas de vídeo duvidosas, já estava de novo fazendo essas coisas todas
mas essa -
essa não era ela, era a vagem dela
num algodão topz em forma de bola.
11.8.08
pastelaria estrela guia
- ana guadalupe às 22:06
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5 welcome roxy:
oi ana =]
achei bem bonito o poema hospitalar. os versos estão cheio de ecos.
santa lúcia é o nome da ala?
*eles adoram dar nomes de santas às alas.
r.
Como diz o Camera Obscura pro Loyd: "Hey Loyd, I'm ready to be heartbroken, I can’t see further than my own nose at the moment". Não tem nada a ver com seu poema, mas lembrei disso.
poemas bonitos, ana.
beijos
r.c.: santa lúcia era (é) o nome do hospital.
túlio: eu pensei nisso do "are you ready to be heartbroken?" (e a resposta do camera obscura "lloyd, i'm ready to be heartbroken"), também. então "tem a ver".
gabriela: obrigada e beijos e apareça!
É, a vendedora de pastéis sempre me pareceu meio triste, dentro do 177 ou 169, com a mãozinha no queixo e a carinha gorda quase encostando no vidro.
Acho que a única vez que vi ela mais ou menos felizinha foi quando fomos comer pastel lá. ~Me vê um de carne humana e um de vento.~
Ainda não sei se ela fingiu ou se não me reconheceu quando nos cruzamos na rua, dias depois do pastel de azia na pastelaria Estrela Guia.
:]
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