3.2.09

anas & cristinas

no filme mais recente do diretor espanhol julio medem, o mesmo de os amantes do círculo polar e lucía e o sexo, ana tem 18 anos e mora com seu pai numa aconchegante caverna em ibiza (a mesma daquela festa no mediterrâneo). lá, além de praticar nudismo e comer com garfos de madeira, ela pinta uns quadros.

um belo dia, surge uma mecenas disposta a levá-la pro que equivale à mansão x dos x-men, porém com pressupostos artísticos. lá, ana faz grandes amigos instantâneos e se apaixona à primeira vista por said, um rapaz de descendência árabe.

também não demora muito pra que a paz e o amor sejam perturbados pelos ataques da moça que, segundo um especialista em hipnose americano muito camarada que surge do além, tem lembranças loucas das suas vidas e mortes passadas.

somos convidados a presenciar a jornada espiritual da ana, seja pegando na mão dos estranhos nas ruas de madrid, dançando empolgada numa rave, passando mal ao comer lagostas ou aloprando num barco em alto mar. quem conhece os outros filmes do diretor já espera idas e vindas na linha do tempo, cenários paradisíacos e frases megalomaníacas. ana se contorce e grita pras câmeras em suas inúmeras reencarnações: no meio do filme ela não tem mais dreads e, no final, exibe o cabelo curto e a perda da inocência - e do bronzeado.

*

não muito longe dali, em barcelona, a jovem americana cristina se entrega ao charme de juan antonio gonzalo, um artista plástico com cara de animal marinho e passado misterioso. em poucas e intensas semanas, ela leva as malas pra casa dele, onde são surpreendidos pela ex-mulher do galã em uma de suas crises suicidas. quem (como eu) não conhece a obra do diretor acha graça quando, na falta de uma solução melhor, eles andam de bicicleta, fazem piqueniques no parque, estimulam o espírito artístico um do outro e, mais cedo ou mais tarde, acabam trocando juras de amor rotineiras a três.

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aqui no brasil muito distante, não é meu papel julgar a ana ou a cristina, as duas caóticas em terras espanholas, talvez criadas pra personificar a inquietação da jovem mulher moderna e etc.

impressionante é que no centro dessas histórias estão as atrizes, que pareciam acreditar naquilo que faziam e são mesmo muito PRECOCES: scarlett johansson tem 24 anos (eu nunca acredito) e manuela vellés, cuja estréia no cinema aconteceu nesse filme do julio medem, tinha só 20 na época. com vinte anos eu ainda corava pra pedir quatro pães na padaria.

não sei se nós mulheres temos qualquer coisa a aprender com elas (ana e cristina, scarlett e manuela). cada uma com seu desenvolvimento físico e mental, mas eu, pelo menos, não consigo deixar de ficar abismada. e com uma leve vontade de conhecer a espanha.





3 welcome roxy:

eloise - disse...

quero ver vicky cristina barcelona <3

E MEO, eu nunca acredito qdo lembro que scarlett tinha 18, 19, 20 anos (NUNCA SEI AO CERTO) qdo fez 'lost in translation'. parece mais velha...

Anônimo disse...

Ana, você é uma inquieta jovem mulher pós-moderna?

Túlio disse...

qual animal marinho o bardem tem cara?

Baiacú, tubarão-martelo ou morsa?

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