os meses têm pressa
pra atacar com graça
nossa saúde frágil
caixa de cartas
perdidas na mudança
das intenções
as melhores
respostas chegam
com as portas fechadas
24.2.09
supermercado
- ana guadalupe às 21:11 3 welcome roxy
em poemas
17.2.09
classificados
já que toquei no assunto da mudança, aqui vai mais um anúncio!
o quarto econômico e bem localizado que eu pretendia alugar em são paulo, o velho sonho da recém-formada, não será meu. fiquei sabendo hoje que o dono do cômodo desistiu de se mudar.
então procuro (susan) desesperadamente um novo lugar. se souberem de alguém que pretende dividir apartamento, me avisem. moro com estranhos há seis anos e sou bastante silenciosa.
- ana guadalupe às 19:31 3 welcome roxy
15.2.09
aspen
olhando por esse lado
eles nunca mais
vão viver juntos
num quarto cheio
de mosquitos
atraídos pelas latas
de feijão debaixo
do armário
eles não vão
nem morrer juntos
e isso não é
o fim do mundo
é só um desperdício
que tarde ou cedo
ela morra em silêncio
ou ele
ao contrário
nos vazios civilizados
das escadas rolantes
ou antes
engasgados com café
na área de serviço
- ana guadalupe às 05:28 1 welcome roxy
em poemas
detetive dos trailers
por conta de uma mudança, estou doando minha inútil e querida coleção de filmes VHS: mais ou menos 100 fitas que achei no lixo, ganhei ou comprei por no máximo 2 reais durante os últimos anos, incluindo joe & as baratas, louca obsessão, a morte lhe cai bem, uma equipe muito especial, amityville 4 e outros trambolhos.
mas nem tudo é desapego.
numa dessas madrugadas descobri que não preciso mais me preocupar em manter viva a memória dos clássicos pessoais, já que existe o videodetective, um banco de dados de trailers oficiais que estavam quase caindo no esquecimento.
nós não vamos esquecer vocês! nunca!
(louca)
- ana guadalupe às 01:35 10 welcome roxy
10.2.09
capas de discos que nunca ouvi, banhos de banheira que nunca tomei
- ana guadalupe às 19:31 5 welcome roxy
3.2.09
anas & cristinas
no filme mais recente do diretor espanhol julio medem, o mesmo de os amantes do círculo polar e lucía e o sexo, ana tem 18 anos e mora com seu pai numa aconchegante caverna em ibiza (a mesma daquela festa no mediterrâneo). lá, além de praticar nudismo e comer com garfos de madeira, ela pinta uns quadros.
um belo dia, surge uma mecenas disposta a levá-la pro que equivale à mansão x dos x-men, porém com pressupostos artísticos. lá, ana faz grandes amigos instantâneos e se apaixona à primeira vista por said, um rapaz de descendência árabe.
também não demora muito pra que a paz e o amor sejam perturbados pelos ataques da moça que, segundo um especialista em hipnose americano muito camarada que surge do além, tem lembranças loucas das suas vidas e mortes passadas.
somos convidados a presenciar a jornada espiritual da ana, seja pegando na mão dos estranhos nas ruas de madrid, dançando empolgada numa rave, passando mal ao comer lagostas ou aloprando num barco em alto mar. quem conhece os outros filmes do diretor já espera idas e vindas na linha do tempo, cenários paradisíacos e frases megalomaníacas. ana se contorce e grita pras câmeras em suas inúmeras reencarnações: no meio do filme ela não tem mais dreads e, no final, exibe o cabelo curto e a perda da inocência - e do bronzeado.
*
não muito longe dali, em barcelona, a jovem americana cristina se entrega ao charme de juan antonio gonzalo, um artista plástico com cara de animal marinho e passado misterioso. em poucas e intensas semanas, ela leva as malas pra casa dele, onde são surpreendidos pela ex-mulher do galã em uma de suas crises suicidas. quem (como eu) não conhece a obra do diretor acha graça quando, na falta de uma solução melhor, eles andam de bicicleta, fazem piqueniques no parque, estimulam o espírito artístico um do outro e, mais cedo ou mais tarde, acabam trocando juras de amor rotineiras a três.
*
aqui no brasil muito distante, não é meu papel julgar a ana ou a cristina, as duas caóticas em terras espanholas, talvez criadas pra personificar a inquietação da jovem mulher moderna e etc.
impressionante é que no centro dessas histórias estão as atrizes, que pareciam acreditar naquilo que faziam e são mesmo muito PRECOCES: scarlett johansson tem 24 anos (eu nunca acredito) e manuela vellés, cuja estréia no cinema aconteceu nesse filme do julio medem, tinha só 20 na época. com vinte anos eu ainda corava pra pedir quatro pães na padaria.
não sei se nós mulheres temos qualquer coisa a aprender com elas (ana e cristina, scarlett e manuela). cada uma com seu desenvolvimento físico e mental, mas eu, pelo menos, não consigo deixar de ficar abismada. e com uma leve vontade de conhecer a espanha. 
- ana guadalupe às 02:11 3 welcome roxy

