24.3.10

o poema distante

o poema não aparece há três semanas
quando procurado nas revistas, se afasta
até a última página

do livro preferido não há mais poema
resta o leitor relapso, talvez esquizofrênico
que confundia romances policiais ao contrário

folhas dos cadernos brochura ao lado
de uma cama de solteiro sem lençóis, colchão exposto
onde escreveu seus versos mais estúpidos

mas não piores que outros
que ainda virão antes que o poema volte
se é que volta

o poema não está a fim
de conversa
o poema recusou convites
pra comer fora

dizem que a ausência de mensagens
é sinal de partida definitiva, mas há esperança
do celular do poema estar sem bateria

resto de ave recheada

palavra presa
que nas horas vagas
vira nó
na garganta

até as formigas
se pudessem
te carregariam
pra fora