black heart procession - guess i'll forget you
4.9.07
bigodes
- ana guadalupe às 23:58 2 comentário(s)
em música
cambé
rego minha planta
há azulejos coloniais com gravuras
de bules de leite sem nata
nesta casa
há salames feitos de sangue
no banheiro a água quente
devolve a imaginação perdida
aos que alimentam plantas
carnívoras - cada um tem
sua caneca sua carne sua ordem
aquele por exemplo lava os dedos antes
poesia no palito
o blog de nome chopsticks tem poemas de gente como jeffrey mcdaniel, traduzidos com capricho pelo renato. minha única colaboração é falar abobrinha.
- ana guadalupe às 10:41 0 comentário(s)
em leituras
31.8.07
um menino de oito anos surgiu grudado ao corrimão enquanto eu descia os degraus circulares de um edifício comercial no horário de almoço. escolhi as escadas por medo do elevador cujas portas se fecham rápido demais. o menino me seguiu do quarto ao primeiro andar; senti que era um daqueles inimigos pequenos dos videogames: uma gota branca com olhos verticais e helicóptero no boné.
- ana guadalupe às 13:59 2 comentário(s)
em videogame
28.8.07
22.8.07
cinco minutos a viuvinha
não quero te fazer infeliz nunca mais
roubar seu computador
com o pretexto de fazer amigos
concluir o mestrado
não quero te fazer maldades tão cedo
levar todos os seus eletroeletrônicos
em caixas de achocolatado
antes que você volte do trabalho
pra não sentir remorso
por te abandonar sozinho
sem móveis e com medo
sem alguém de temperamento difícil
pra amar
sozinho com seus próprios
pés repletos de frieiras
e a falta de alguém
pra te fazer
massagens
maldades
de novo
21.8.07
há fantasmas no espelho
e olham meu medo de olhar no espelho
estou dizendo há fantasmas e tremo
e atiro fugas nos olhos do espelho que não quebra
e insiste em devolver a feiura que recuso
me oferece o que sou
a mim que vejo apenas o que aceito
aceito rugas e dentes amarelos
e cabelos brancos e cicatrizes
não a minha pequeneza que escondo
encontro menos que uma frágil pista
que me dou e que me nego
uma impressão digital deixada no espelho
bem na altura do meu olho cego
jeferson nunes
- ana guadalupe às 11:08 0 comentário(s)
em leituras
7.8.07
sabor artificial morango
ensinaram
que não se chora
no trabalho
que em dia de chuva
não se usa branco
é uma pena
não ter aprendido
a compartilhar
as bolachas rellenas
os beijos enviados de volta pra linha reta que me une a você
- ana guadalupe às 15:59 0 comentário(s)
em poemas
2.8.07
nunca escreveram um poema pra mim
ana
de tanto gostar imenso
sei até de cor,
a cor dos teus cílios.
o espelho é a alma lá dentro:
(palinódia, palíndromo.)
rodrigo césar carreira
- ana guadalupe às 17:10 3 comentário(s)
em leituras
23.7.07
alex kidd
endireito os ombros
certifico que sou da mesma altura
que minha presunção e minha ousadia
mesmo que meus sapatos sejam altos
e tenham asas
mesmo que atravesse a cidade
matando pessoas com pedras
papel e tesoura
mesmo que jogue pérolas
pra quebrar suas janelas
minha única missão
é cantar uma música
sobre o abismo
- ana guadalupe às 15:43 6 comentário(s)
15.7.07
rumpelstiltskin
notas no diário misterioso:
fenômeno da transformarção de palha em ouro e também o processo contrário
que é disso que os anões gostam muito
- ana guadalupe às 17:02
10.7.07
poema em conserva
quando receber o pacote pelo correio
perceba o volume e o calor do conteúdo
artesanal e preparado pra que lhe comova
e leve a comprovar que pesa como pesa um gato
morto que você carrega anestesiado quando
o nota imóvel e absurdo junto ao poste
e já sabe que terá de cavar um buraco
grande como era o gato
a começar pelo laço desengonçado
abra o presente com o espanto e a alegria
de criança com medo de ganhar meias
não faça caso
por favor
não se incomode
ao ver no pote o esbranquiçado
do mofo por entre as curvas do vidro ou o líquido
da ferrugem na tampa metálica ou o cheiro
ocre que se espalhará até que tenha lágrimas
nos olhos que continuarão abertos na tentativa
de aceitar sinceramente as frutas da estação passada
que alguém sabia serem suas preferidas
9.7.07
(mais) hits deprimidos
some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries
- okkervil river é híbrido de um monte de bandas que eu ouço e provavelmente mais sensual que todas elas (bright eyes, wilco, pavement, sei lá).
claro que é meio emocionado demais, mas eu gosto, ainda mais com uma animação feia assim tão bonita.
- ana guadalupe às 11:04 4 comentário(s)
em música
band-aid em lixo de hotel familiar
permita-me dedilhar
suas veias – poéticas –
convencer que compre
um álbum
o mapa – geográfico –
do mundo no corpo humano
em figurinhas pra recortar
seus exageros
pra ensinar – científico –
que chagas são os cortes
permanentemente abertos
dos hemofílicos
- ana guadalupe às 09:36 2 comentário(s)
em poemas
4.7.07
angélica febem
quando eu não te tinha
tuas tetinhas de chantily
na minha língüa
cheia de tinha
tua bucetinha de molúsculo macio
em minha língüa
- dentro dela outra lingüinha
lambendo a minha -
eu sei que tinhas ambições
iguais às minhas
me ter como eu te tinha
minha língüa e a tua lingüinha
sempre vizinhas.
luis carlos frança
- ana guadalupe às 14:17 1 comentário(s)
em leituras
