os restaurantes melancólicos desde que sei andar entre as cadeiras como se dançasse a música japonesa de sempre, sempre a mesma que será uma incógnita;
como era
aquela
música
japonesa?
não há letra.
à procura engasguei surpresa com um ossinho ou susto ou palavras
21.12.07
primeiros socorros 2
primeiros socorros 1
quando há alguém passando por perigo físico, minha reação mais sincera é fechar olhos, ouvidos e correr na direção contrária. não quero ver o joelho de tamires borbulhando. não quero ver a tosse comprida de tamires. não quero ver a carne do almoço de tamires, a mancha de xarope. não quero ver tamires.
- ana guadalupe às 02:03
19.12.07
basquetebol
não traga presentes como
armadilha pra dizer que
irá cometer um crime meu
maior medo não é esse é
que alguém se aproxime
arremessando uma bola
14.12.07
t-t-taquicardia
é como quando perguntam sua banda preferida
e você não consegue lembrar o nome de
nenhuma
12.12.07
os tecidos leves
enrolada na toalha
de mesa do melhor
restaurante até
hoje
olhei dura-
nte muito tempo pro
branco do prato estive
longe
11.12.07
os elefantes nunca se esquecem
este poema anda
ao contrário, anda
negativo
este poema quer estrelas
no caderno, um carimbo
de sorriso
este poema vende
balões no zoológico
a contragosto, indeciso
ambulâncias
abandono os deveres
e sabonetes pela metade
que sempre acabam sendo
um grande desperdício
- ana guadalupe às 10:21 0 comentário(s)
7.12.07
todos os fogos o fogo
essa semana no portal literal, leandro & seus fogos de artifício conceituais!
bem sei que a internet é assustadora de tão surpreendente. estou usando adjetivos chatos pra dizer que tem muita coisa legal por aí. poesia, por exemplo, tem sido a coisa mais legal. e traz pessoas, o que é mais legal ainda. legal é um adjetivo simplório, mas
vocês entenderam.
abraços!
(aquelas que só são calorosas quando estão felizes)
- ana guadalupe às 17:24 3 comentário(s)
4.12.07
29.11.07
olhos sexy
na parte de trás da caminhonete o cheiro de gasolina
era maior que o cheiro de leite ou cachorro-quente
que devem ter as pessoas próximas
com o líquido que vaza dos sorrisos
purificados com bicarbonato
e de caminhonetes paradas
inesperadas em pontos turísticos
às vezes incômodos como o memorial
de um incêndio
destruindo todas as minhas revistas
de novela e a música
que falava sobre olhos sexy
27.11.07
só vocês pra me fazerem rir num dia ruim
incrível: depois que reclamei das visitas geradas por buscas no google envolvendo palavras genitais, elas sumiram, desapareceram, nunca mais! senti falta.
no entanto as buscas andam mesmo mais coerentes. pessoal procurando relatos dos anos 90, loiras americanas, coisas de meninas e índio diego, aqui é o lugar certo; entre e fique à vontade.
ameli polar também, claro.
- ana guadalupe às 17:51 0 comentário(s)
em cinema
pessoa física
neste verso não há música
é preciso rasgá-lo
em pedaços pequenos
para que os ladrões de CPF
não vejam
basculante
evitar descrever a alegria
ou julgá-la constante
até que passe típica e nua
pela janela ou
continuar a esquecê-la
para que volte de surpresa
e não lhe encontre palavras belas
e não saiba como descrevê-la:
tremor, açúcar, letargia
(2005)
19.11.07
torta
após a agonia vem o alívio
em camadas bem dispostas:
cadáveres, desníveis
ah, se as coisas palpáveis
marcassem encontros
com as coisas possíveis
- ana guadalupe às 00:19 1 comentário(s)
em poemas
11.11.07
charles simic
Errata
Where it says snow
read teeth-marks of a virgin
Where it says knife read
you passed through my bones
like a police-whistle
Where it says table read horse
Where it says horse read my migrant's bundle
Apples are to remain apples
Each time a hat appears
think of Isaac Newton
reading the Old Testament
Remove all periods
They are scars made by words
I couldn't bring myself to say
Put a finger over each sunrise
it will blind you otherwise
That damn ant is still stirring
Will there be time left to list
all errors to replace
all hands guns owls plates
all cigars ponds woods and reach
that beer-bottle my greatest mistake
the word I allowed to be written
when I should have shouted
her name
- ana guadalupe às 20:40 0 comentário(s)
em leituras
5.11.07
3.11.07
(para poder crescer)
minha amiga camila nham e eu temos (há anos) planos loucos de adaptar esse livro pro teatro.
os últimos tempos estão pedindo uma releitura. ficam aqui meus grifos emocionados de 2005:
porque o mundo foi e será uma porcaria, já o sei (quem não sabe), porém vale mais vivê-lo esculhambado e tudo como é que pensá-lo aristotelicamente, kantianamente, sartrianamente. ou que cantá-lo em letras de tango. (...) porque estava corroído de palavras, doente de palavras, embrulhado de palavras, assassinado de palavras, já quase morto de palavras;
-
dormir até que as tênues e maripôsicas mãos de ana acariciem sua face e sua tênue e melodiósica vozinha diga vamos meu amor, vamos já;
-
eu não posso sustentar o seu olhar, então fecho o livro que leio enquanto digo qualquer coisa sobre este tempo louco, o dia tão estranho, tão cinzento, tão reticente, tão ambíguo. chove? ainda não, mas creio que vai chover. é o inverno suspenso no ar e divertindo-se às nossas custas, cecilia. ou nos querendo. você acredita? acredita que o inverno nos queira? é claro que acredito, é claro que acredito! a garoa, o vento, o frio, tudo é terrivelmente carinhoso, tão terrivelmente carinhoso que te devora. como a cidade, como as mães, como as mulheres, como os amigos, como a gente. te querem para te comer melhor. e se nevasse eu acreditaria mais ainda. e seria mais bonito. mais ainda se nevasse, muito mais então se os copos de há pouco de há pouco os copos copos copos pocos pocos. palavras.
- ana guadalupe às 00:54 1 comentário(s)
pé esquerdo
é claro que os pigmeus
não cresceram
e acabaram por aí descalços
neuróticos atirando flechas
é claro que os cupidos
também atiram flechas
e estas acabaram todas
atingindo palavras
afinal a gente ama palavras
e as palavras obedientes
fazem silêncio
em correspondência
nos cartões enviados
para entes queridos
que acabarão esquecidos
em caixas de mocassim
para os dias de passeio
no pesque & pague
quando não se pesca nada
nem mesmo pneus de bicicleta
nem mesmo velhas botinas
nem mesmo sandálias de dedo
nem mesmo solas de mocassim
nem aqueles laços de mocassim
nem meias soquete próprias para mocassim
porque quase tudo é fantástico
e às vezes
é verdade
as palavras querem mesmo o seu fim
e quando querem com força
elas dissimuladas devolvem
as flechas e fingem
o fim
1.11.07
reality bites
é ridículo, é um alívio, é uma boa anedota pro futuro, é um ótimo motivo pra ficar com febre, adiar o cinema, fingir saúde, sentir nojo, rasgar fotos, achar bonito, comprar lençóis novos.
- ana guadalupe às 14:50
31.10.07
a raposa e as uvas
não que eu goste de shows. todo mundo sabe que enxergo e escuto mal, além de ter agonia de multidões.
mas não quis ir ao tim. sem ironias, sinceramente desprezo the killers. e não me importo com o arctic monkeys. sinceramente acho que a cat power piorou com o tempo. não consigo ouvir um disco inteiro da björk.
- ana guadalupe às 11:17 6 comentário(s)
em música
30.10.07
utilidade welcomehomeroxy
ainda sobre as irmãs cocorosie:
já sabia intuitivamente qual era sierra e qual era bianca, mas na minha imaginação as vozes eram trocadas. a sierra tem muito mais cara de voz de bianca. e vice-versa. impressionante.
também quer saber diferenciar? eu ensino. 
e, nesse caso, é minha preferida.
- ana guadalupe às 15:32 0 comentário(s)
em música
25.10.07
bazar & papelaria
detestáveis os peixes
beijam o vidro,
como se nos vissem
atrás a paisagem
falsa de cartolina
escolar, montagem
de bonecas dobráveis
para vestir de rosa
e abandonar na chuva.
- ana guadalupe às 20:47 1 comentário(s)
em poemas
24.10.07
escorpiões chamados donald
também eu
tenho uma canção da sorte
uma blusa verde
um desentupidor de pia
manias terríveis
também tenho planos falíveis
um ferrão abotoado
pra quando surgem
bastonetes em círculo
no oásis
4.10.07
linguística ll
só uma legítima
má aluna pra gaguejar
numa grande letra L
na leitura em voz alta
e clara pras janelas
laterais da sala
de espelhos
e andar muito
dependente
das letras com a língua
entre os dentes
da frente
de uma loja
onde se liqüida
um collant
de lantejoulas
pra bordar
a palavra Longe
e lá longe
vestir as lantejoulas
pra lavar a louça
de ontem
- ana guadalupe às 23:05 3 comentário(s)
em poemas
2.10.07
rubis, romãs
pastilhas ferem o palato
que, veja, é feito
de pastilhas também
- penduradas no céu
da boca cheia
de sementes
de úvula -
que mais tarde
vão voando
estourar
o apêndice
de um livro.
1.10.07
ixi, sanduíches
nessa quarta-feira, dia 03, vou ler poemas aqui no mpb bar num evento chamado "sarau outras palavras", que comemora os 40 anos do curso de letras da uem - universidade estadual de maringá.
já aviso que costumo corar e gaguejar,
mas estarão lá outros músicos e poetas pra entreter o público. 5 reais, às 20h.
- ana guadalupe às 13:56 5 comentário(s)
28.9.07
fase
última bolha de ar
no fundo, antes que prometa
não desperdiçar água, não sugar
o que há
de mais
bonito
aqui embaixo
começa a contagem mais limpa,
pulando dezenas pra chegar
vivo
às fisgadas
no peito
e ele
promete
parar
- ana guadalupe às 18:23 0 comentário(s)
15.9.07
soulseeker
procurando música dançante (?) no soulseek, comecei a falar com um cara de 42 anos que mora na escócia.
ele me mostrou isso (não sei se é dançante, mas é bonito):
piano magic - i didn't get where i am today
- ana guadalupe às 17:31 2 comentário(s)
em música
12.9.07
6.9.07
xisto na faculdade de letras
na escola eu era c.d.f. e me apaixonava por repetentes. eles me atropelavam com seus skates na frente da sala toda e não me ajudavam a levantar - desconfio que não sentiam o mesmo.
•
ooh a universidade estadual, ruptura na minha linha da vida, casinha infestada de cupins.
no primeiro ano, eu tinha só duas peças de roupa e expectativas demais. fui mandada pra fora da aula de latim por dizer quero doar sangue bem baixinho. reprovei nas latinidades e planejava abandonar o curso. acabei me enrolando: consegui um estágio remunerado. graças a ele, cheguei ao segundo ano. lia todos os livros do mundo durante as aulas, menos os que constavam no currículo. foi quando reprovei em linguística 2.
no terceiro ano, fui internada no s.u.s. durante 5 dias por causa de uma pneumonia silenciosa como eu. também resolvi almoçar numa sorveteria chamada amazônia todos os dias. eles faziam os sabores melancia e jaca. me tornei anêmica e dormia em todas as aulas. às vezes acordava caindo da carteira, sonhando, babando, tremendo (r.e.m.). abandonei literatura brasileira 1. os professores me odiavam. a amazônia fechou, minha amiga teve uma filha e eu reprovei em linguística pela segunda vez.
um colega de sala foi esmagado por uma vaca do garcía márquez no quarto ano. ele morreu, eu não. continuei viva só para reprovar em linguística - por 5 décimos - de novo.
nesse ano não durmo na aula, mas pareço o menino da propaganda contra as drogas - olhar perdido, som de descarga. cinco anos da minha vida, talvez seis. sou uma repetente recordista: continuo péssima na linguística e isso ninguém me tira.
- ana guadalupe às 13:05 6 comentário(s)
4.9.07
bigodes
black heart procession - guess i'll forget you
- ana guadalupe às 23:58 2 comentário(s)
em música
cambé
rego minha planta
há azulejos coloniais com gravuras
de bules de leite sem nata
nesta casa
há salames feitos de sangue
no banheiro a água quente
devolve a imaginação perdida
aos que alimentam plantas
carnívoras - cada um tem
sua caneca sua carne sua ordem
aquele por exemplo lava os dedos antes
poesia no palito
o blog de nome chopsticks tem poemas de gente como jeffrey mcdaniel, traduzidos com capricho pelo renato. minha única colaboração é falar abobrinha.
- ana guadalupe às 10:41 0 comentário(s)
em leituras
31.8.07
um menino de oito anos surgiu grudado ao corrimão enquanto eu descia os degraus circulares de um edifício comercial no horário de almoço. escolhi as escadas por medo do elevador cujas portas se fecham rápido demais. o menino me seguiu do quarto ao primeiro andar; senti que era um daqueles inimigos pequenos dos videogames: uma gota branca com olhos verticais e helicóptero no boné.
- ana guadalupe às 13:59 2 comentário(s)
em videogame
28.8.07
22.8.07
cinco minutos a viuvinha
não quero te fazer infeliz nunca mais
roubar seu computador
com o pretexto de fazer amigos
concluir o mestrado
não quero te fazer maldades tão cedo
levar todos os seus eletroeletrônicos
em caixas de achocolatado
antes que você volte do trabalho
pra não sentir remorso
por te abandonar sozinho
sem móveis e com medo
sem alguém de temperamento difícil
pra amar
sozinho com seus próprios
pés repletos de frieiras
e a falta de alguém
pra te fazer
massagens
maldades
de novo
21.8.07
há fantasmas no espelho
e olham meu medo de olhar no espelho
estou dizendo há fantasmas e tremo
e atiro fugas nos olhos do espelho que não quebra
e insiste em devolver a feiura que recuso
me oferece o que sou
a mim que vejo apenas o que aceito
aceito rugas e dentes amarelos
e cabelos brancos e cicatrizes
não a minha pequeneza que escondo
encontro menos que uma frágil pista
que me dou e que me nego
uma impressão digital deixada no espelho
bem na altura do meu olho cego
jeferson nunes
- ana guadalupe às 11:08 0 comentário(s)
em leituras
7.8.07
sabor artificial morango
ensinaram
que não se chora
no trabalho
que em dia de chuva
não se usa branco
é uma pena
não ter aprendido
a compartilhar
as bolachas rellenas
os beijos enviados de volta pra linha reta que me une a você
- ana guadalupe às 15:59 0 comentário(s)
em poemas
2.8.07
nunca escreveram um poema pra mim
ana
de tanto gostar imenso
sei até de cor,
a cor dos teus cílios.
o espelho é a alma lá dentro:
(palinódia, palíndromo.)
rodrigo césar carreira
- ana guadalupe às 17:10 3 comentário(s)
em leituras
23.7.07
alex kidd
endireito os ombros
certifico que sou da mesma altura
que minha presunção e minha ousadia
mesmo que meus sapatos sejam altos
e tenham asas
mesmo que atravesse a cidade
matando pessoas com pedras
papel e tesoura
mesmo que jogue pérolas
pra quebrar suas janelas
minha única missão
é cantar uma música
sobre o abismo
- ana guadalupe às 15:43 6 comentário(s)
15.7.07
rumpelstiltskin
notas no diário misterioso:
fenômeno da transformarção de palha em ouro e também o processo contrário
que é disso que os anões gostam muito
- ana guadalupe às 17:02
10.7.07
poema em conserva
quando receber o pacote pelo correio
perceba o volume e o calor do conteúdo
artesanal e preparado pra que lhe comova
e leve a comprovar que pesa como pesa um gato
morto que você carrega anestesiado quando
o nota imóvel e absurdo junto ao poste
e já sabe que terá de cavar um buraco
grande como era o gato
a começar pelo laço desengonçado
abra o presente com o espanto e a alegria
de criança com medo de ganhar meias
não faça caso
por favor
não se incomode
ao ver no pote o esbranquiçado
do mofo por entre as curvas do vidro ou o líquido
da ferrugem na tampa metálica ou o cheiro
ocre que se espalhará até que tenha lágrimas
nos olhos que continuarão abertos na tentativa
de aceitar sinceramente as frutas da estação passada
que alguém sabia serem suas preferidas
9.7.07
(mais) hits deprimidos
some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries
- okkervil river é híbrido de um monte de bandas que eu ouço e provavelmente mais sensual que todas elas (bright eyes, wilco, pavement, sei lá).
claro que é meio emocionado demais, mas eu gosto, ainda mais com uma animação feia assim tão bonita.
- ana guadalupe às 11:04 4 comentário(s)
em música
band-aid em lixo de hotel familiar
permita-me dedilhar
suas veias – poéticas –
convencer que compre
um álbum
o mapa – geográfico –
do mundo no corpo humano
em figurinhas pra recortar
seus exageros
pra ensinar – científico –
que chagas são os cortes
permanentemente abertos
dos hemofílicos
- ana guadalupe às 09:36 2 comentário(s)
em poemas
4.7.07
angélica febem
quando eu não te tinha
tuas tetinhas de chantily
na minha língüa
cheia de tinha
tua bucetinha de molúsculo macio
em minha língüa
- dentro dela outra lingüinha
lambendo a minha -
eu sei que tinhas ambições
iguais às minhas
me ter como eu te tinha
minha língüa e a tua lingüinha
sempre vizinhas.
luis carlos frança
- ana guadalupe às 14:17 1 comentário(s)
em leituras
28.6.07
não desiste
enquanto não tenta
a seção de correspondência
da revista
manda cartas perfumadas
pras moças
dizendo ser um cara bacana
cola adesivo do pernalonga
disfarça pernas trêmulas
quando o carteiro traz
a conta
de luz
- ana guadalupe às 14:10 3 comentário(s)
27.6.07
tom sawyer
a aventura acabou não volto
a escalar as escadas do seu prédio
até que me saltem varizes
com minhas melhores roupas de baixo
no cantil minhas piadas mais felizes
pra encher o seu saco
de dormir
comigo
- ana guadalupe às 11:55 0 comentário(s)
em poemas
25.6.07
vupt
só leu um livro na vida
que falava sobre o vento
com voz fina
se lhe escrevo um verso
e leio em voz alta
não vê graça
não sabe ouvir pausas
como as minhas
nossas idas e voltas
agora não adivinha
que carrego um poema
pra entregar antes que vá
embora junto com a ventania
- ana guadalupe às 00:38 4 comentário(s)
em poemas
22.6.07
um fuzil pra mim
aprendi no google que existe um livro com o seguinte subtítulo:
um fuzil para ana guadalupe.
- ana guadalupe às 11:15 1 comentário(s)
17.6.07
declaração de ódio
aos cadernos brochura.
não consigo pensar em coisa mais ridícula.
- ana guadalupe às 21:37 1 comentário(s)
13.6.07
sf 1 Briefwechsel, Korrespondenz, Schriftverkehr. 2 Post, Posteingang, Postausgang. 3 Entsprechung
na alemanha em 1817
três crianças iniciaram
uma divertida corrente
por correspondência
dentro de doze minutos
envie para mais dez pessoas
para receber belíssimos
postais do mundo todo
caso não aprecie postais
será o primeiro a quebrar
a corrente
e jamais receber uma carta
de amor
- ana guadalupe às 15:38 6 comentário(s)
em poemas
12.6.07
o mundo silencioso
num esforço para que as pessoas
olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.
quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.
estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.
tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.
quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.
-
tradução de mauro faccioni filho
- ana guadalupe às 11:02 1 comentário(s)
em leituras
5.6.07
óculos do chaves
1.
quantas voltas
pra sua alegria
voltar a pé
pra beber com
a gente te falar
com cuidado
não se recuse a usar
seus dedoches
pra dizer não
às drogas
que te roubam
a ternura
2.
um curto-circuito
no fio da meada
do novelo de lã
que usava
pra rechear umbigos
andar em círculos
te comer melhor
com suas próprias
lombrigas
3.
daqui pra
frente
não seja assim
tão
rebelde
cultive acne
coma granola
e de vez em
quando
escute enya
- ana guadalupe às 17:55 5 comentário(s)
1.6.07
maneiras
último telefonema numa noite de março - mergulho
com chiclete do lado esquerdo da boca - incêndio
premeditado na festa junina - bicicleta
pretensiosa que quase voa - queda
artística num banheiro úmido - torcicolo
brusco na hora do abraço
(projéteis de mistério:)
há os que se despedem
nas colisões
com o tempo
- ana guadalupe às 14:01 3 comentário(s)
em poemas
bronze
não xinguem
se eu acabar fugindo
do domingo na praia
do picolé de leite
ou de fruta
da pretensão de medalha
no concurso de beleza
do calor humano
desse sol lindo
no fim da tarde
os eletrodos
como eu insistem
em esperar por
choques
- ana guadalupe às 12:45 5 comentário(s)
em poemas
31.5.07
o renato
alô: leiam o meu amigo renato mazzini, um dos poetas com quem mais me identifico. aqui vão três dos meus preferidos, sem mais.
poema obscurecido
velha senhora comendo grama com chopsticks
me pergunto o porquê disso
e a providência me tenta pregar uma peça
velha senhora pintando um quadro
unhas confusas no verde-pântano da grama
olho e entendo pouco
e distraído me deixo cair
sob a sombra de um aerólito
autobiografia em dezessete linhas
moleque pequeno que não gosta de futebol
e tem tão poucos amigos que só podia dar em psicólogo
mãe pegando pela mão
tudo transcorre sem maiores problemas
canhestro para o amor e dado
a desperdiçar vazio
mente o fôlego
aos vinte e três falta o jeito
quebra o parabrisa com a cabeça
um corte grande na testa e os olhos
com o sangue nem abrem direito
pensa ter encontrado a tulipa à espera
mas pode estar errado
e reconhece como o resumo de sua história
que a vida pratica reengenharia genética
em tudo que se dá por certo
só pra te fazer rir ao contrário
só pra te fazer esperar o reafago
breu
escuridão como colher de sopa
que parou de refletir um rosto algum
mesmo com o líquido sorvido
escuridão de mangas apertadas
e gola incômoda que pinica a pele
e zíper dado à ferrugem de jamais abrir
escuridão minha guardada na carteira
visível só pelos íntimos
e cravejada de constrangimento amargo
escuros os segundos que rejeitam
o trabalho de se agrupar em minutos
e os meus dentes amarelam enquanto
-
- ana guadalupe às 11:28 0 comentário(s)
em leituras
27.5.07
éclair
convulsão ou cócega
branco do olho
virado do avesso
assim responderá
ao estímulo
desse que muito lhe quer bem
muitíssimo
com membros e mãos
que evitarão que se quebre
a casca do seu ovo
essa porcelana
ter uma desculpa
menos cretina
só uma
pra quando através
da abertura mínima
esse algo
cor de açúcar
- ana guadalupe às 15:59 5 comentário(s)
em poemas
24.5.07
não me canso
i'm a deep sea diver losing air
é mesmo uma letra deprimente, mas gosto muito dessa música e desse disco do grizzly bear. o clipe é tão feio que logo me conquistou. vejam: bonecos (que qualquer um desenharia melhor) num videogame lento com cores de cocô e fases de água e areia. eu - como todo mundo - sempre odiei as fases de água E as de areia também (aí lembro de um jogo horrível pro mega drive - chameleon kid). eu (previsível) gostava das fases verdes e fáceis e daquelas no mundo do chocolate ou da gelatina.
- ana guadalupe às 19:55 9 comentário(s)
22.5.07
a memória das coisas
revelo um fato místico
enquanto me agarro
ao seu casaco:
usamos lãs de ovelhas
que tomaram chuva
e basta
um vaso de orquídea
uma cápsula do tempo
um bolso secreto
na parte de dentro
pra que eu te guarde
de um céu
que pretende muito
20.5.07
lilipute
longe se estendem
banais cartilagens
dos planos destruídos
nas pausas para lanche
apenas a recordação
de guliver capturado
com lanças pelo corpo
e novidade nas sardas
inspira breve susto e
breve exercício respiratório
para recobrar a calma
- ana guadalupe às 02:11 2 comentário(s)
em poemas
14.5.07
toc
quem bate à porta
acredite
não é o frio
que é costume mandar embora
não são os escoteiros
ou as mulheres da igreja
ou os sujeitos de boina
hoje não abra
quem bate
é esse intruso
que de brinde levará
as chaves e
o dente mole
há anos à espera
de um impulso
no barbante
e mudará
por completo
o sentido
dos rituais noturnos
pra checar mil vezes
se a porta
foi trancada
- ana guadalupe às 15:30 2 comentário(s)
7.5.07
portal literal
surpresa: graças à muito querida e dona de poemas tão bonitos bruna beber, estou lá na curadoria de poeta, levando três poemas daqui.
- ana guadalupe às 16:50 7 comentário(s)
seqüência
aquele é o cenário quieto em tons
de verde triste e verde claro
escrivaninha cadernos e telescópio
aquelas são as persianas
bem fechadas para que a inspiração
não ouse ir embora de alpargatas
e
esse
que te escreve
é o personagem que morre
falando sobre asteróides
ao telefone
- ana guadalupe às 01:56 1 comentário(s)
5.5.07
poemas pra ninar pesadelos
da encomenda
passos longos em direção ao
ponto árido onde barcos
trazem embrulhos
p. exemplo caixas
de madeira
nas quais os entes
queridos
estão
todos
guardados
-
da comida
é meu desjejum é
meu único
o sinto prestes a ser servido
um prato grande e
vermelho
o vejo antes que seja prato
salivo como um bicho
assim que chega
noto, medonha e trêmula,
que está vazio
-
da nudez
despertar súbito
sob os dedos enormes
dos colegas
há a surpresa
de afinal não ter trazido
sequer o vestido
- ana guadalupe às 19:20 1 comentário(s)
3.5.07
selos
toda quinta-feira numa coluna de poesia no diário (maringá): poemas inéditos & outras tentativas bem intencionadas, sob o novíssimo codinome dessa ana guadalupe.
- ana guadalupe às 08:57 4 comentário(s)
28.4.07
de impacto
enquanto nada cicatriza
parece bonito ostentar
feridas
e clichês - em movimento
(medir o pulso com
velocímetros)
amar é sempre acidente
e masoquismo
(não há novidade nisso)
e cronenberg fez um filme
sobre prazeres estranhos
mas
você avança muito rápido
e eu nem relógio tenho
- ana guadalupe às 12:38 2 comentário(s)
26.3.07
um aviso
se esperança existe
eu evito
desesperar-me nesse espaço
de tempo: minutos
(...)
- ana guadalupe às 14:53 1 comentário(s)
até as vaqueiras ficam tristes
notas no diário
(misterioso):
achados & perdidos
à beira de um ataque de gênero
aulas mortas e ouvidos muito limpos
uso de microscópios e lenços decorados
- ana guadalupe às 14:25 3 comentário(s)
em cinema
24.3.07
idéiafixa
vou ser infeliz
vou lhe chatear
roberto schwarz
- ana guadalupe às 15:15 1 comentário(s)
em leituras
5.3.07
pachorra
embora não se chamasse joana e não estivesse grávida de nada
correria pelas quitandas como se fosse quarta-feira e
assumiria que não era bailarina, que dançar não sabia,
tatuaria palavras-chave como medida de emergência para
contar a todos que não havia sequer uma alavanca, nenhuma,
que por acaso garantisse destruição bela ou segura.
não sabiam seu nome, telefone,
mas em breve certamente
explodiria
em conteúdo perecível
no carpet da sala
- ana guadalupe às 11:02 2 comentário(s)
em poemas
2.3.07
celina
parece que ela ficou
mocinha e libertou-se
veio me dizer
ofegante nos ouvidos
que cansara de usar
polainas
que seu nariz
sangrava todas as
noites e manchava
a cama
(um vermelho vivo
que agora fugira das
bochechas)
- ana guadalupe às 16:25 6 comentário(s)
em poemas
música do menino solitário
saw a face
from my childhood days
a smiling girl/not a friend
milky red funny face
smiling smiles
mother/and son
stood by a dad
daddy
you sure eat a lot of snacks
(...)
all forgotten yesterdays
school days remind me of
when I was a boy
all my life I've been this lonely boy
doo doo
vincent gallo, "lonely boy"
- ana guadalupe às 15:23 3 comentário(s)
27.2.07
sexo mentiras e videotape
vou te perseguir 24h pelas alamedas
suar entre os seios, tropeçar com tênis sujos
vou te telefonar nas madrugadas
dizer frases feitas, chorar entre rimas
vou te enviar cartas tardias
escrever poemas, colar recortes de revista
vou tentar te esquecer durante décadas
eternos rewinds das minhas memórias
- ana guadalupe às 14:31 5 comentário(s)
carnaval animado
assim como sou dinky bosseti e dawn wiener e billy brown (titanismos e fantasias típicos de minha puberdade constante) -
eu sou esse cachorrinho.
- ana guadalupe às 13:21 2 comentário(s)
em música
25.2.07
ociosos
extra extra!
alguns poemas datados, recolhidos e revisitados
(nov.2005)
vivo num filme, trilha chorosa, beijo azulejos
mesmas fotos que vejo há anos
década-de-90 no meu algo-já-cansado
me esqueço
e me encontro
comigo às 8
*
jogo
(dez.2004)
quando as coleciono quase todas muito simples
qualquer impulso me empurra para longe longe
do grande plano grande que se parte até hoje
e não poderia contar as faces
do grande grande susto do qual
me recupero
*
conformar os conformes
(nov. 2004)
se me perder
eu te perdôo
meu nome era muito nasal mesmo
*
aquários
(nov. 2004)
& limites são
vítreos, límpidos, potencialmente quebráveis
(nome de doença, patologia de se esconder,
guardar miniaturas em sacos plásticos,
afogar peixes convulsivos em ânsia, ansiosos,
possam ser domesticados unidos aos erros,
perdoados logo após, minhas âncoras)
aquários de vidro
mesma agonia a vida toda
pergunto de novo onde estão os sentidos
e então perco todos: mingau de aveia
e bananas
*
peru de natal
(out.2004)
tão frio, cheio
de faltas e batidas
marcas e feridas
e ossos presos
nos nós das gargantas
um então abraço
um então perdão
- se houver espaço -
aos anos
aos passos
aos murros e aos muitos
bagaços e beijos
*
pippi longstocking
(set. 2004)
está morrendo e
dentre os ditos exageros,
chora pela reprovação de suas sardas sinceras.
carrega no rosto o peso da nudez,
a burrice-até-ontem, cavalinhos de espuma.
dessa vez e apenas, escolhe um laço com o mundo,
última tentativa de registrar um grande poema
para todos
*
sessão da tarde
(ago.2004)
férias este ano
todas as semanas
e a próxima
em especial
esse último número
que enxerga
não há soma
nesse engano
uma película que separa
mente as datas
perde a fala
não há nada
não há nada
e o monstro no armário
é o teu único
melhor amigo
*
(ago.2004)
depois do choque
há a lição de risadas
e formas de lágrimas
depois do choque
há a promessa de um outro
eletrocutam-me as pálpebras
quando os tremores se vão
conto meus dedos
escovo os dentes
*
(jun.2004)
escrevo versos ando em círculos penso em tiros no ouvido num silêncio mais calmo em balas de goma e cereais matinais e mãos no pescoço e em esquecer o passado
não por arrependimento
mas por exagero por tédio por sódio
escrevo bobagens, pipocas doces, fins-meios, poetas russos, não falo mais ocos: mais brutos.
posso ser um menino
com calças de moletom
e é pouco
nos meses de luto
*
lâmina
(jun.2004)
banheiro vidro azulejo líquido
implora por mais um metro
quadrado que sinta
um frio um limpo uma ferida
engole as tuas dúvidas, lúcida
escuro como naquelas histórias
engole as tuas dobras, mímica
claro e mais claro
clarabóias
*
bobby
(mai.2004)
- quando achar de novo o brinquedo perdido pela casa, ele vai se despedaçar
nas minhas mãos?
esses plásticos baratos, essas mãos nervosas
*
hamlet
(mar. 2004)
não há nada
mais bonito
que isso
estar só
do seu lado
hamleto em folhas A4
não tenha medo do menino fedido
são todos velhos motivos
buracos fundos à distância de um dedo
*
das frutas
(fev. 2004)
laranjas
como se pudesse escolhê-las
carambolas
como se fossem estrelas
comê-las
como se fossem outras coisas
outras coisas
como se fossem as tuas
*
pedido
(out. 2003)
me leve para o méxico
ou para um viaduto
seja uma decepção dolorida
uma rima esdrúxula
um pretexto poético
seja
alguma coisa
porque eu odeio
o vazio
nas suas pupilas
*
babette
(nov. 2002)
pêlos tristes
encontraram a morte
em algum lugar
do jardim
morrer é tão simples
só dura um instante
diga que sim
*
- ana guadalupe às 13:14 0 comentário(s)
em poemas
o pequeno construtor
pequeníssimo tijolo de madeira
e em diante uma casa
ou uma chácara, como gostam
parece que chove à toa
e conflitos familiares soam bem
à pequena população cujos carros desgovernados se despedaçam
contra os castelinhos
e a srta. leite-moça pensou ter visto uma poça de sangue no
quintal chuvoso
e (sangue)
o relógio da praça central é como um coração, mas
os pequenos amigos de madeira
definitivamente não sabem
o que é isso.
(11/2005)
- ana guadalupe às 12:44 0 comentário(s)
em poemas

