1.10.07

ixi, sanduíches

nessa quarta-feira, dia 03, vou ler poemas aqui no mpb bar num evento chamado "sarau outras palavras", que comemora os 40 anos do curso de letras da uem - universidade estadual de maringá.

já aviso que costumo corar e gaguejar,
mas estarão lá outros músicos e poetas pra entreter o público. 5 reais, às 20h.

28.9.07

fase

última bolha de ar
no fundo, antes que prometa
não desperdiçar água, não sugar
o que há
de mais
bonito

aqui embaixo
começa a contagem mais limpa,
pulando dezenas pra chegar
vivo
às fisgadas
no peito

e ele
promete
parar

15.9.07

soulseeker

procurando música dançante (?) no soulseek, comecei a falar com um cara de 42 anos que mora na escócia.

ele me mostrou
isso (não sei se é dançante, mas é bonito):




piano magic - i didn't get where i am today

cabines

ela vem recebendo trotes
acorda confusa, não sabe o próprio nome, que casa é esta, em qual cidade, se há de fato alguém comovente ligando da rua, numa noite imensa de chuva

6.9.07

xisto na faculdade de letras

na escola eu era c.d.f. e me apaixonava por repetentes. eles me atropelavam com seus skates na frente da sala toda e não me ajudavam a levantar - desconfio que não sentiam o mesmo.



ooh a universidade estadual, ruptura na minha linha da vida, casinha infestada de cupins.

no primeiro ano, eu tinha só duas peças de roupa e expectativas demais. fui mandada pra fora da aula de latim por dizer quero doar sangue bem baixinho. reprovei nas latinidades e planejava abandonar o curso. acabei me enrolando: consegui um estágio remunerado. graças a ele, cheguei ao segundo ano. lia todos os livros do mundo durante as aulas, menos os que constavam no currículo. foi quando reprovei em linguística 2.
no terceiro ano, fui internada no s.u.s. durante 5 dias por causa de uma pneumonia silenciosa como eu. também resolvi almoçar numa sorveteria chamada amazônia todos os dias. eles faziam os sabores melancia e jaca. me tornei anêmica e dormia em todas as aulas. às vezes acordava caindo da carteira, sonhando, babando, tremendo (r.e.m.). abandonei literatura brasileira 1. os professores me odiavam. a amazônia fechou, minha amiga teve uma filha e eu reprovei em linguística pela segunda vez.
um colega de sala foi esmagado por uma vaca do garcía márquez no quarto ano. ele morreu, eu não. continuei viva só para reprovar em linguística - por 5 décimos - de novo.
nesse ano não durmo na aula, mas pareço o menino da propaganda contra as drogas - olhar perdido, som de descarga. cinco anos da minha vida, talvez seis. sou uma repetente recordista: continuo péssima na linguística e isso ninguém me tira.


4.9.07

bigodes



black heart procession - guess i'll forget you

cambé


rego minha planta
há azulejos coloniais com gravuras
de bules de leite sem nata
nesta casa

há salames feitos de sangue


no banheiro a água quente
devolve a imaginação perdida
aos que alimentam plantas
carnívoras - cada um tem
sua caneca sua carne sua ordem

aquele por exemplo lava os dedos antes



poesia no palito

o blog de nome chopsticks tem poemas de gente como jeffrey mcdaniel, traduzidos com capricho pelo renato. minha única colaboração é falar abobrinha.

31.8.07

um menino de oito anos surgiu grudado ao corrimão enquanto eu descia os degraus circulares de um edifício comercial no horário de almoço. escolhi as escadas por medo do elevador cujas portas se fecham rápido demais. o menino me seguiu do quarto ao primeiro andar; senti que era um daqueles inimigos pequenos dos videogames: uma gota branca com olhos verticais e helicóptero no boné.


28.8.07

ventana

fique para
qualquer coisa
- fique para o café,
minha cara
de paisagem
na janela
(antes que
de vez
despenque
o humor
de pálpebra)
entreaberta

22.8.07

cinco minutos a viuvinha

não quero te fazer infeliz nunca mais
roubar seu computador
com o pretexto de fazer amigos
concluir o mestrado

não quero te fazer maldades tão cedo
levar todos os seus eletroeletrônicos
em caixas de achocolatado
antes que você volte do trabalho
pra não sentir remorso

por te abandonar sozinho
sem móveis e com medo
sem alguém de temperamento difícil
pra amar

sozinho com seus próprios
pés repletos de frieiras
e a falta de alguém
pra te fazer
massagens
maldades
de novo

21.8.07

há fantasmas no espelho
e olham meu medo de olhar no espelho
estou dizendo há fantasmas e tremo
e atiro fugas nos olhos do espelho que não quebra
e insiste em devolver a feiura que recuso
me oferece o que sou
a mim que vejo apenas o que aceito

aceito rugas e dentes amarelos
e cabelos brancos e cicatrizes
não a minha pequeneza que escondo
encontro menos que uma frágil pista
que me dou e que me nego
uma impressão digital deixada no espelho
bem na altura do meu olho cego


jeferson nunes

em uma folha seca caiu no meu colo no primeiro dia do ano (carriola press, 2007)

7.8.07

sabor artificial morango

ensinaram
que não se chora
no trabalho
que em dia de chuva
não se usa branco

é uma pena
não ter aprendido
a compartilhar
as bolachas rellenas

os beijos enviados de volta pra linha reta que me une a você

2.8.07

nunca escreveram um poema pra mim

ana

de tanto gostar imenso

sei até de cor,

a cor dos teus cílios.

o espelho é a alma lá dentro:

(palinódia, palíndromo.)



rodrigo césar carreira