incrível: depois que reclamei das visitas geradas por buscas no google envolvendo palavras genitais, elas sumiram, desapareceram, nunca mais! senti falta.
no entanto as buscas andam mesmo mais coerentes. pessoal procurando relatos dos anos 90, loiras americanas, coisas de meninas e índio diego, aqui é o lugar certo; entre e fique à vontade.
ameli polar também, claro.
27.11.07
só vocês pra me fazerem rir num dia ruim
- ana guadalupe às 17:51 0 comentário(s)
em cinema
pessoa física
neste verso não há música
é preciso rasgá-lo
em pedaços pequenos
para que os ladrões de CPF
não vejam
basculante
evitar descrever a alegria
ou julgá-la constante
até que passe típica e nua
pela janela ou
continuar a esquecê-la
para que volte de surpresa
e não lhe encontre palavras belas
e não saiba como descrevê-la:
tremor, açúcar, letargia
(2005)
19.11.07
torta
após a agonia vem o alívio
em camadas bem dispostas:
cadáveres, desníveis
ah, se as coisas palpáveis
marcassem encontros
com as coisas possíveis
- ana guadalupe às 00:19 1 comentário(s)
em poemas
11.11.07
charles simic
Errata
Where it says snow
read teeth-marks of a virgin
Where it says knife read
you passed through my bones
like a police-whistle
Where it says table read horse
Where it says horse read my migrant's bundle
Apples are to remain apples
Each time a hat appears
think of Isaac Newton
reading the Old Testament
Remove all periods
They are scars made by words
I couldn't bring myself to say
Put a finger over each sunrise
it will blind you otherwise
That damn ant is still stirring
Will there be time left to list
all errors to replace
all hands guns owls plates
all cigars ponds woods and reach
that beer-bottle my greatest mistake
the word I allowed to be written
when I should have shouted
her name
- ana guadalupe às 20:40 0 comentário(s)
em leituras
5.11.07
3.11.07
(para poder crescer)
minha amiga camila nham e eu temos (há anos) planos loucos de adaptar esse livro pro teatro.
os últimos tempos estão pedindo uma releitura. ficam aqui meus grifos emocionados de 2005:
porque o mundo foi e será uma porcaria, já o sei (quem não sabe), porém vale mais vivê-lo esculhambado e tudo como é que pensá-lo aristotelicamente, kantianamente, sartrianamente. ou que cantá-lo em letras de tango. (...) porque estava corroído de palavras, doente de palavras, embrulhado de palavras, assassinado de palavras, já quase morto de palavras;
-
dormir até que as tênues e maripôsicas mãos de ana acariciem sua face e sua tênue e melodiósica vozinha diga vamos meu amor, vamos já;
-
eu não posso sustentar o seu olhar, então fecho o livro que leio enquanto digo qualquer coisa sobre este tempo louco, o dia tão estranho, tão cinzento, tão reticente, tão ambíguo. chove? ainda não, mas creio que vai chover. é o inverno suspenso no ar e divertindo-se às nossas custas, cecilia. ou nos querendo. você acredita? acredita que o inverno nos queira? é claro que acredito, é claro que acredito! a garoa, o vento, o frio, tudo é terrivelmente carinhoso, tão terrivelmente carinhoso que te devora. como a cidade, como as mães, como as mulheres, como os amigos, como a gente. te querem para te comer melhor. e se nevasse eu acreditaria mais ainda. e seria mais bonito. mais ainda se nevasse, muito mais então se os copos de há pouco de há pouco os copos copos copos pocos pocos. palavras.
- ana guadalupe às 00:54 1 comentário(s)
pé esquerdo
é claro que os pigmeus
não cresceram
e acabaram por aí descalços
neuróticos atirando flechas
é claro que os cupidos
também atiram flechas
e estas acabaram todas
atingindo palavras
afinal a gente ama palavras
e as palavras obedientes
fazem silêncio
em correspondência
nos cartões enviados
para entes queridos
que acabarão esquecidos
em caixas de mocassim
para os dias de passeio
no pesque & pague
quando não se pesca nada
nem mesmo pneus de bicicleta
nem mesmo velhas botinas
nem mesmo sandálias de dedo
nem mesmo solas de mocassim
nem aqueles laços de mocassim
nem meias soquete próprias para mocassim
porque quase tudo é fantástico
e às vezes
é verdade
as palavras querem mesmo o seu fim
e quando querem com força
elas dissimuladas devolvem
as flechas e fingem
o fim
1.11.07
reality bites
é ridículo, é um alívio, é uma boa anedota pro futuro, é um ótimo motivo pra ficar com febre, adiar o cinema, fingir saúde, sentir nojo, rasgar fotos, achar bonito, comprar lençóis novos.
- ana guadalupe às 14:50
31.10.07
a raposa e as uvas
não que eu goste de shows. todo mundo sabe que enxergo e escuto mal, além de ter agonia de multidões.
mas não quis ir ao tim. sem ironias, sinceramente desprezo the killers. e não me importo com o arctic monkeys. sinceramente acho que a cat power piorou com o tempo. não consigo ouvir um disco inteiro da björk.
- ana guadalupe às 11:17 6 comentário(s)
em música
30.10.07
utilidade welcomehomeroxy
ainda sobre as irmãs cocorosie:
já sabia intuitivamente qual era sierra e qual era bianca, mas na minha imaginação as vozes eram trocadas. a sierra tem muito mais cara de voz de bianca. e vice-versa. impressionante.
também quer saber diferenciar? eu ensino. 
e, nesse caso, é minha preferida.
- ana guadalupe às 15:32 0 comentário(s)
em música
25.10.07
bazar & papelaria
detestáveis os peixes
beijam o vidro,
como se nos vissem
atrás a paisagem
falsa de cartolina
escolar, montagem
de bonecas dobráveis
para vestir de rosa
e abandonar na chuva.
- ana guadalupe às 20:47 1 comentário(s)
em poemas
24.10.07
escorpiões chamados donald
também eu
tenho uma canção da sorte
uma blusa verde
um desentupidor de pia
manias terríveis
também tenho planos falíveis
um ferrão abotoado
pra quando surgem
bastonetes em círculo
no oásis
4.10.07
linguística ll
só uma legítima
má aluna pra gaguejar
numa grande letra L
na leitura em voz alta
e clara pras janelas
laterais da sala
de espelhos
e andar muito
dependente
das letras com a língua
entre os dentes
da frente
de uma loja
onde se liqüida
um collant
de lantejoulas
pra bordar
a palavra Longe
e lá longe
vestir as lantejoulas
pra lavar a louça
de ontem
- ana guadalupe às 23:05 3 comentário(s)
em poemas
2.10.07
rubis, romãs
pastilhas ferem o palato
que, veja, é feito
de pastilhas também
- penduradas no céu
da boca cheia
de sementes
de úvula -
que mais tarde
vão voando
estourar
o apêndice
de um livro.
