1.10.08

um peixe chamado wanda

descobri
que waldemar
se escreve com w
e ainda mora
na mesma cidade
com a mãe

30.9.08

para viagem

pra quem mora ou está de passagem por lá e também p/ os que estão longe, dia 08 começa a mostra sesc de artes desse ano.

e o amigo ricardo silveira tem um projeto de intervenção urbana, que na verdade são três e muito me emocionam:


poema para viagem

Pequenos poemas para serem destacados e levados para casa. Um lembrete para um momento de descanso. É com essa idéia que Poema para Viagem se apropria dos espaços e faz uma paródia com anúncios de venda (ou aluguel) de produtos e serviços com quem cruzamos em nosso dia-a-dia. O projeto tem curadoria de Ricardo Silveira, artista plástico e poeta.
Autores: Ademir Assunção, Alice Sant´Anna, Ana Guadalupe, Carlito Azevedo, Fabrício Corsaletti e Ricardo Silveira.

SESC Avenida Paulista & no SESC POMPÉIA
08/10 a 18/10.
Terça a sexta, 13h às 22h. Sábado e domingo, 10h às 19h.


poema de bebedouro

Objeto de nosso cotidiano que tem como função saciar a sede é agora utilizado como suporte literário. Textos do poeta paulista Ricardo Silveira serão aplicados em diversos bebedouros da unidade do Sesc Pompéia.

SESC Pompéia
08/10 a 18/10.
Terça a sexta, 9h às 22h. Sábado e domingo, 9h às 20h.


poema passageiro

Inserção de dez poemas inéditos de dez diferentes poetas na programação cultural das TVs dos ônibus da capital paulista e na programação da TV Minuto, que está presente nos aeroportos e livrarias da cidade.
A intervenção questiona a distribuição de poesia para círculos cada vez mais restritos. Curadoria de Ricardo Silveira.
Autores: Ana Rüsche, Angelica Freitas, Bruna Beber, Chacal, Leo Gonçalves, Marcelo Montenegro, Marcelo Sahea, Ricardo Domeneck, Ricardo Silveira e Rodrigo Garcia Lopes.
Apoio: Bus Mídia Televisão Coletiva e TV Minuto

09/10 a 17/10
Horário de circulação dos ônibus municipais.




29.9.08

ação games

alguém lembrou de E.V.O. - search for eden?





londrix

queria ir há alguns anos. quem não foi pode ir no ano que vem:

20.9.08

mec


vai no tim?
nao
vai?
nao
caro
sim e chato
quanto é? nem fiquei sabendo o preço
depende do show
mas tudo mais 150
que horror
eu ia viajar agora em outubro
mas acho que nem vou mais, tenho preguiça

poisé
eu fui pra sp esses dias


ver o joão
cantar
vou ficar aqui mesmo e gastar o dinheiro da viagem com bobagens

poisé, comprar lanche do mc por ai memso
sim
vc leu meus pensamentos
era lanche do mc




16.9.08

tá chegando a hora

por falar em sylvia plath, ela nasceu no mesmo dia que a minha mãe. no dia 27 de outubro também nasceram roy lichtenstein, kelly osbourne, patrick fugit, theodore roosevelt, graciliano ramos, maurício de souza e luiz inácio lula da silva (!).

e no meu, dia 6 de novembro, foram jonathan harris (do perdidos no espaço), sofia de melo breyner andresen (quem?), sally field ("nunca sem minha filha"), billy idol, ron underwood, ciro gomes, daniela cicarelli, rebecca romijin-stamos, o serial killer david parker ray, ethan hawke (meu mini-poster preferido da revista carícia uau) e a atriz pornô brasileirinha monica mattos (!)

ah, o que dizer dos escorpianos?

10.9.08

chefão hugo

CHEGA DOS MESMOS
CHEGA! CHEGA!
CHEGOU A HORA DA RENOVAÇÃO
(...)


mudando de assunto
estou vivendo uma situação sinestésica
hoje usei o perfume (novo) do meu irmão
e agora tenho a sensação de que há mais alguém na sala
qual perfume?
hugo boss
BOSS LEVEL
é! quando penso em boss lembro dos chefões
os chefões sempre com faquinhas e bumerangues
e jaquetas de couro
ou jeans
e canhões
sempre tinham as armas mais potentes
mas a fraqueza eram os movimentos repetidos e previsíveis
vc sempre podia desviar tres vezes, dar um pulo e um golpe
sim, pq será que eles eram assim?
repetia isso 38 vezes e passava o chefe
desafio meramente braçal
mecânico, alienado

às vezes dava pra pensar em outras coisas da vida enquanto se matava um chefe

3.9.08

farinha de milho

pouco antes da sua
chegada

cismei que trazia seringas
e fugiria pelas janelas
de madrugada

com a coleta
bem organizada
num estojo de amostras

o interfone há meses
mudo te obrigou a dar voltas
na quadra e os quadris

tão estreitos não sei como
se agüentava

29.8.08

capas de disco que nunca ouvi




fox n'wolf / in yr underwear

17.8.08

gravações pra minha mãe

e o acaso me deixou na porta da tua casa
faz silêncio e faz de conta que já me esperava
que eu tava pra chegar
pra ficar e pra sumir sem dar explicação
só pra torcer o pé
descendo a escada
de quem não me quer

nei lisboa, em "cena beatnik"
(ela gosta)

11.8.08

santa lúcia

vozes a quem ofereci livros
ela respondeu que ouvia
vozes no outro dia
disse que a única

parte boa era a fatia
de pão com margarina
dela ou das vozes
dentro dela de manhã
tomei banho nas dobras
presas ao soro as mesmas
calças andei pelas alas
quando a enfermeira
entrou pela trigésima
vez perdi a conta
das veias de criança
agora mais frouxas
ela ainda ouvia

8.8.08

delta

piolhos bem espremidos
e então lançados ao lixo
para os estalidos no plástico
está tudo bem os piolhos
agora mortos pelos seus dedos
de coca-cola seus dedos
de arroz parboilizado seus dedos
de vinagre branco seus dedos
magros e mornos seus dedos

3.8.08

louca

dizque "gila" significa isso na indonésia. não sei como se chama o idioma de lá.
é o hit do beach house e o universo místico das máscaras de animais.
sempre achei que casas na praia são meio assim mesmo.
até a próxima.


1.8.08

28.7.08

sonhos no meu e-mail

(r. c. , com quem eu não sabia que dançaria no sábado, escreveu e me enviou ontem)

era noite e era seu aniversário. estávamos bem longe de novembro. sua casa em santa catarina tinha umas portas de vidro, cheia de retratos grandes nas paredes.
seu quarto ficava ao lado de um banheiro e era bem mais alto do que a casa. eu entrava sem querer e adivinhava umas coisas guardadas em caixas bem finas como as de camisa e aquelas caixas estreitas para teclados. você às vezes entrava e dizia "o que estão fazendo aí? não mexam", com aqueles olhos que você sabe fazer. falava sobre eu conversar com um amigo velho dos seus pais que era médico e cobrava muito caro. falava que ele era muito legal e que poderia nos levar para londres. eu sorria. você depois me disse sobre pessoas sempre deixarem marcas e coisas fora do lugar na casa, depois da festa.
sua mãe tinha umas gaiolas com aqueles arames trançados esquisitos, sem nada dentro, você apontava para os outros.

e a loucura maior veio depois: não sei como, mas espaço e tempo se cruzaram na memória e você - e nós - estávamos em outra casa, não era festa mas os corredores estavam cheios de gente. você era nada mais do que hilda (hilst) e me chamava, pegava nas minhas mãos e dizia: "que unhas!" e outras coisas.

como hilda e ainda guadalupe - e não sei explicar como - você autografava uns livros para enviar para conhecidos; eu às vezes me afastava e ouvia você falar de longe em inglês com um amigo que se vestia com umas roupas brancas e meio orientais.

sentados na mesa, em lados opostos, você me perguntou de qual signo eu era, e me aconselhou a mostrar escritos para você - ela - ler com uns olhos mais maduros. eu não dizia muita coisa, mas concordava. eu sorria e sei lá mais o que fazia - não via meu rosto, mas sabia que sorria - para depois, você, toda eufórica e até mais jovem, me conzudir para uma lan house esquisita e mostrar assim, a esmo - sentada no colo de um moço que já estava lá - umas fotos de procissões, umas fotos de você com os braços enrolados nuns cordões brancos sagrados olhando para o nada e outras coisas assim.

em breve, saíamos dali para andar perdidos pelas calçadas e você a falar que era preciso viver mais fundo e outras coisas que não lembro muito bem porque já estava dormindo na superfície. e fui acordando com as imagens e as palavras muito nítidas de tudo. desci as escadas e agora aqui.
numa quinta-feira chuvosa,
com a boca seca, sem muito questionar por que te escrevo
- depois de tanto tempo.
mas achando que foi tudo muito bonito.