(...)
Sem literatura só há um poço em que caímos e lá ficamos, os olhos estalados no escuro, ouvidos grudados nas paredes cheias de limo, esperando que algo aconteça. Mas nada acontece fora de nós. Nada acontece além do medo. Nossos corpos definhando e consumindo pedrinhas encontradas no chão. Linhas e agulhas e mecanismos de produção ainda estão estirados até o fundo do poço, ao nosso alcance, objetos que esperam pacientemente que sejam transformados em corda, uma corda que os mesmos deuses então puxarão, nos trazendo pra esse campo assim, agora nublado e sem montanhas à vista, mas pelo menos aberto. E com luz suficiente pra que vejamos nossos passos. E observemos, no espelho mais próximo, que ainda temos nove anos de idade. Que pisamos em solo argentino. E que somos Jorge Luis Borges.
abner dmitruk
12.12.08
borges
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5 comentários:
Eu fui lá na casa dele em Buenos Aires... fantastique!
o que seria de mim sem o borges!
o que seria de mim sem o borges!(2)
é o que sempre digo la literatura no existe.
também gosto bastante de parte deste filho da puta.
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