24.3.10

o poema distante

o poema não aparece há três semanas
quando procurado nas revistas, se afasta
até a última página

do livro preferido não há mais poema
resta o leitor relapso, talvez esquizofrênico
que confundia romances policiais ao contrário

folhas dos cadernos brochura ao lado
de uma cama de solteiro sem lençóis, colchão exposto
onde escreveu seus versos mais estúpidos

mas não piores que outros
que ainda virão antes que o poema volte
se é que volta

o poema não está a fim
de conversa
o poema recusou convites
pra comer fora

dizem que a ausência de mensagens
é sinal de partida definitiva, mas há esperança
do celular do poema estar sem bateria

5 comentários:

Michel Gomes disse...

Poxa, este ficou estupendo...

acompanho sempre aqui. ^^

Parabéns.

Guiga disse...

meta poesia

Thiago Cestari disse...

a mim ele voltou enquanto eu estava no banho, massageando meus cabelos para melhor efeito do shampoo anti-caspa.

(a gente se conhecia do twitter, mas deixei de frequentar aquele lugar.)

Marcus Lancaster disse...

Não gosto desses poemas de meta-linguagem

srt.:Rebeca disse...

Muito bom!!! ...nossa esperança é que o celular do poema esteja sem bateria...